
A economia brasileira deve ter iniciado o ano com forte crescimento graças à demanda interna, com destaque para o desempenho da indústria e osinvestimentos, segundo pesquisa da Reuters. Após o primeiro trimestre, a expectativa é de desaceleração devido às medidas do governo para controlar a inflação, mas o ano todo deve encerrar com uma taxa bastante positiva.
A mediana das previsões de 20 instituições financeiras apontou crescimento de 1,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2010, quando houve expansão de 0,7%. A faixa de prognósticos foi de 1% a 1,6%.
Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a mediana mostrou avanço de 4,25%, com faixa de estimativas de 3,78% a 5,30%. No quarto trimestre, o crescimento, nesse tipo de comparação, havia sido de 5%. "Se a gente lembrar que houve desaceleração no segundo semestre do ano passado, esse primeiro trimestre surpreende positivamente", disse Newton Rosa, economista-chefe do SulAmérica Investimentos.
Muitos analistas revisaram para cima as previsões para o período, conforme os dados mensais dos componentes do PIB, como indústria e varejo, surpreendiam. O crescimento deve ter sido generalizado, mas alguns setores se destacaram.
"Pela ótica da demanda, a formação bruta de capital fixo deve ter sido o pilar de tal sólido desempenho e não o consumo privado, como foi o caso no trimestre anterior", disse Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank. "O protagonismo do ponto de vista da oferta deverá ser desempenhado pelo setor industrial."
Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco, previu em relatório expansão de 3,3% para a formação bruta de capital fixo - uma medida dos investimentos - no primeiro trimestre em relação ao quarto. O prognóstico para o consumo das famílias é de 0,8% e para os gastos do governo, de 0,9%.
Para a indústria, o prognóstico dele é de 2,6% de expansão, para o setor de serviços é de 1,1% e para a agropecuária é de 4,7% na comparação com o período imediatamente anterior. "O forte crescimento da produção de algumas culturas com peso relevante, como algodão herbáceo, soja e arroz, contribui para a expansão do setor agropecuário neste início de ano", disse Bicalho. Por outro lado, o setor externo deve ser o ponto fraco do PIB, impedindo um crescimento mais forte da economia.
"O comércio exterior líquido deve continuar sendo um obstáculo para o crescimento, conforme as importações superam as exportações... A demanda doméstica continuará a se sobressair no crescimento do PIB", afirmou Marcelo Carvalho, chefe de pesquisa econômica para América Latina do BNP Paribas.
Perspectivas
O forte crescimento das importações, auxiliado pela fraqueza do dólar, já vem mostrando seus efeitos sobre a produção industrial. A produção da indústria contrariou as expectativas e caiu 2,1% em abril. As medidas do governo para conter a inflação devem ter impacto sobre a economia como um todo e, portanto, não se espera uma repetição do forte crescimento do primeiro trimestre nos períodos à frente.
"As medidas do governo vão ter impacto sobretudo no segundo semestre do ano. Espera-se uma desaceleração depois desse primeiro trimestre, mas o impacto é sobretudo no segundo semestre", acrescentou Newton Rosa, do SulAmérica Investimentos.
Mesmo assim, a previsão é de uma expansão forte no ano como um todo. "(A previsão para o primeiro trimestre) implicaria em um carry-over de 2,6% para o ano e reforçaria nossa visão de que o crescimento anual facilmente atingirá pelo menos 4% em 2011", acrescentou Santos, do Espírito Santo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o PIB do primeiro trimestre na sexta-feira às 9h.