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Atualizada às 12h55
Laryssa Borges
Direto de Brasília
 
A indústria brasileira fechou o primeiro semestre com queda de 7,7% no faturamento, a pior desde o início da série histórica de pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2003, informou nesta quinta-feira a entidade. No mês de junho, o indicador teve alta de 1,6% em relação a maio, na série com ajuste sazonal, mas ainda ficou 5,8% abaixo do verificado no mesmo mês do ano passado.
Para a CNI, a retomada na comparação mensal - a quarta nos primeiros seis meses do ano - indica um "movimento de recuperação", mas a avaliação é que a alta da atividade ainda é "muito incipiente".
Em junho, faturamento e horas trabalhadas cresceram, ao passo que o emprego, a massa salarial e a utilização da capacidade instalada caíram.
"A crise não foi uma coisa simples. Foi profunda e vamos ver o reflexo disso toda vez que a gente comparar com o ano passado. Alguns indicadores têm retomada. Não está tendo uma piora na indústria como um todo, mas não se pode afirmar que temos uma melhora geral. Na questão do emprego a melhora ainda não ocorreu", comentou o economista Renato da Fonseca, da CNI.
Pelos dados divulgados nesta quinta-feira, o emprego continua em trajetória de queda, a oitava seguida, com recuo de 0,2% no nível de ocupação da indústria, na comparação com maio. Em relação ao mesmo período de 2008, a queda é maior, na casa de 4,5%. No semestre, a retração do emprego na indústria foi de 2,8%.
Dos 19 setores avaliados pela CNI, em 17 houve redução de emprego em junho, na comparação com o mês anterior. Os setores de madeira, material eletrônico e veículos automotores tiveram as maiores baixas, com -19,8%, -15,6% e -11,5%, respectivamente.
Variando perto da estabilidade pelo segundo mês consecutivo, as horas trabalhadas na indústria cresceram apenas 0,2% em junho na comparação com maio (série com ajuste sazonal). Quando a referência é o mês de junho de 2008, "as horas trabalhadas intensificaram o ritmo de queda, de 9,1% negativos em maio (daquele ano) para 9,5% negativos em junho".
"O faturamento é a primeira variável a mostrar crescimento, mas mesmo tendo um crescimento, ainda está muito incipiente essa recuperação", completa o economista Marcelo de Ávila.
"O emprego mostra uma queda contínua, embora com arrefecimento. Vinha caindo a uma taxa de 0,9% ao mês e agora em junho a queda foi de 0,2%. Talvez o ajuste do mercado de trabalho esteja próximo do fim", avalia Ávila.
Também na esteira da deterioração do mercado de trabalho, a CNI registra baixa de 0,6% na massa salarial do setor, na comparação com o mês anterior, o que quase consumiu todo o crescimento ocorrido em maio, de 0,9%. No acumulado do ano, o indicador tem queda de 1,7%, quando comparado aos seis primeiros meses de 2008.
A utilização da capacidade instalada do parque fabril representou índice de 79,3%, interrompendo o movimento de alta que ocorreu nos últimos quatro meses. Na comparação com junho de 2008, a queda é de 3,9 pontos percentuais. Para a CNI, em 15 setores o parque fabril está abaixo do nível apurado em junho de 2008, sendo que a queda mais representativa foi da metalurgia básica, com baixa de 20,7 pontos percentuais diante do sexto mês do ano passado.

 

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