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As ofertas de ações de empresas na bolsa de valores, como devem fazer Banco do Brasil e Petrobras em breve, sempre geram certa expectativa e diversos fatores podem influenciar na boa aceitação dos novos papeis pelo mercado. Segundo economistas e analistas de mercado, o sucesso de uma oferta depende do momento econômico, dos planos da empresa para aplicação do capital e do "bom-humor" dos investidores.

De um modo geral, para companhias que já têm capital aberto, o preço das ações tende a cair antes da oferta, segundo um analista que preferiu não se identificar por causa do período de silêncio determinado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Isso acontece para tornar o preço do papel atrativo para o investidor entrar novamente".

Além disso, a expectativa de ganhos com dividendos também cai, já que o lucro será dividido por um maior número de acionistas com a oferta de ações. No entanto, para o professor de governança corporativa da Trevisan Escola de Negócios Roberto Gonzalez, o que deve pesar mais no preço da ação é a perspectiva para o futuro da empresa.

"Depende de como é a oferta e se o mercado assimilou bem as intenções e aprovou os planos do que a empresa fará com o dinheiro. Se o mercado entende que a oferta é boa, a ação até sobe. Se o mercado reprovar os planos da empresar, ela cai. Se a empresa está levantando dinheiro para pagar dividas, o mercado não vê com bons olhos", afirmou.

O economista Celso Grisi, do Instituto de Pesquisas Fractal, também afirma que a tendência antes da oferta é de queda no preço. "Antes da oferta as ordinárias tendem a cair, as demais dependem muito de como o mercado vai receber", disse. Após a oferta, o preço varia conforme o volume total de ações vendidas e humor dos analistas.

"Ocorre o chamado 'efeito manada': se a oferta foi um sucesso, a ação tende a subir - alguns dizem 'opa, eu não posso ficar de fora dessa'. Se você não vende quase a totalidade de ações, o mercado vê com maus olhos, salvo análises de que o período está realmente difícil", afirmou Gonzalez.

Investidores
Segundo Grisi, pode ser uma boa oportunidade para os investidores de curto prazo, que compram ações mais baratas antes da oferta e vendem logo depois da capitalização, com boas perspectivas de ganhos. Mas nem sempre a ação sai por um preço melhor e aí sua aposta está perdida. Já os investidores de longo prazo devem ficar atentos para a solidez e os planos futuros da empresa ofertante.

"O melhor a se fazer é você continuar a analisar se acredita nos planos da empresa, como faz até hoje. Se você aprova o que ela fará com o dinheiro por entrar, compre e mantenha ou aumente sua participação nela. Se tem algum receio, não compre, mas também não se desfaça", afirmou o professor da Trevisan.

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