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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, lançou uma mensagem contundente aos mercados nesta quinta-feira, comprometendo-se a fazer o pagamento da dívida externa do país com reservas monetárias. A declaração foi dada após a Justiça proibir o governo de quitar os débitos por meio desta medida, o que levou a governante a afirmar que a oposição estaria por trás da decisão tentando "destituí-la e desonrá-la".

Kirchner defendeu, em rede nacional, sua política econômica, e criticou duramente os opositores após a derrota sofrida pelo governo - que na quarta-feira já havia perdido a maioria no Senado.

"As dívidas que esta presidente quer pagar, e vai pagar, com as reservas do Banco Central, de acordo com o que diz a Constituição, estão depositadas nas contas do Ministério da Economia", afirmou. "Estamos perante tentativas de cassação evidente por parte de alguns setores", disse a presidente, convencida de que a oposição mantém uma atitude de "vingança institucional".

Também nesta quinta-feira, a Coalizão Cívica (CC) denunciou a presidente por suposta "desobediência judicial". "A presidente ignorou uma decisão judicial que a impedia de utilizar as reservas", disse a deputada Patricia Bullrich.

A CC e outras forças de oposição conseguiram fazer com que a Justiça impedisse a constituição de um fundo com US$ 6,569 bilhões provenientes de reservas do Banco Central, cuja criação foi decretada por Kirchner em dezembro.

A presidente nomeou uma nova líder para a entidade monetária, Mercedes du Pont, e derrogou o decreto de criação do Fundo, embora conseguiu os US$ 6,569 milhões que precisava para o pagamento da dívida por um giro do Banco Central ao Ministério da Economia.

Depois de assumir o controle na composição das 25 comissões do Senado, a oposição oficializou a recusa de Mercedes Marcó del Pont como nova líder do Banco Central por causa do uso das reservas.

"Querem que não paguemos o que outros contraíram como dívida. Acho isso um abuso de poder, porque quem tem a responsabilidade de administrar as finanças do país não são os juízes, e sim a presidente", disse Cristina, qualificando a situação de "lamentável".

Ela disse que, se recorresse a empréstimos internacionais para o pagamento da dívida, deveria ser condenada "por administração fraudulenta" contra os interesses do Estado.

"Atuo dentro da Constituição e das penas previstas por lei. Estou disposta a enfrentar a condenação de qualquer juiz, mas não a da história, que seria condenar a Argentina, mais uma vez, ao endividamento", afirmou.

A governante assinou na segunda-feira o agora suspenso decreto junto a outro, mais simples, segundo o qual seriam usados US$ 2,187 bilhões das reservas internacionais para pagar dívidas com organismos multilaterais de crédito. Porém, este não faz parte da decisão judicial.

Fernández derrubou o decreto assinado em dezembro para a criação do chamado Fundo do Bicentenário, que tinha US$ 6,569 bilhões de reservas monetárias previstas, que não foi à frente por supostos problemas judiciais que traria.

O Banco Central, que tem autonomia na Argentina, usou os US$ 6,569 bilhões no mesmo dia em que a presidente assinou a decisão, o que causou revolta na oposição.

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