welder postado em dezembro 01, 2009 09:21


Uma reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal britânico Financial Times afirma que, diferentemente do passado, os títulos de países emergentes, como o Brasil, viraram "porto seguro" para investidores preocupados com uma possível rodada de calotes soberanos motivada pela crise em Dubai.
No artigo, intitulado "Investidores rasgam as velhas regras de comportamento", o influente diário financeiro observa que "a regra de vender os ativos de países emergentes e comprar os de países desenvolvidos, mais seguros, virou de ponta cabeça após a suspensão do pagamento da dívida (anunciada) pelo emirado na semana passada".
"Os títulos de países emergentes, como China e Brasil, têm visto entradas de investimentos na medida em que são considerados pelos investidores como portos seguros dada a saúde de suas finanças públicas."
Para o FT, "isto, mais que nada, sublinha uma mudança na dinâmica da economia global". Por causa de seus "baixos níveis de endividamento e gerenciamento econômico prudente", prossegue o artigo, muitas economias emergentes "combateram a crise financeira de maneira muito mais eficiente que as nações mais ricas".
O artigo compara os níveis de endividamento de Brasil e China (46% e 65% em relação ao PIB, respectivamente) com o de Grécia e Irlanda (que devem atingir 111% e 80%). Os dois países europeus têm sido citados como os mais vulneráveis a possíveis sobressaltos financeiros motivados por falta de confiança em suas finanças.
Segundo o FT, o Japão é o país com maior relação dívida/PIB - 200%. Já nos EUA e na Grã-Bretanha, essa relação é de 97% e 89%, respectivamente. "Novamente, a velha regra de que as economias emergentes são mais arriscadas que as desenvolvidas tem sido rompida nos mercados", diz o jornal.
"Investidores consideram que Grécia e Irlanda apresentam mais risco de dar um calote em seus títulos que a China, Brasil, Polônia e China", afirma o artigo, notando, no caso chinês, que os riscos na maior economia emergente do mundo não são maiores, por exemplo, que na Grã-Bretanha.
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