welder postado em outubro 21, 2009 09:59

Analistas são unânimes em prever Selic estável até o fim deste ano, diante de uma recuperação ainda gradual da economia, mas há divergências sobre quando ocorrerá o primeiro aumento, mostrou uma pesquisa da Reuters.
Todas as 23 instituições financeiras consultadas preveem a taxa básica de juro estável em 8,75% ao ano na reunião de 20 e 21 de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) e até o fim de 2009.
"Não vejo pressões inflacionárias se materializando por um bom tempo. Temos uma recuperação na economia, mas também temos uma ociosidade bastante grande ainda", disse Zeina Latif, economista-chefe do ING.
Dos 17 economistas que fizeram previsão para depois de 2009, praticamente houve consenso de que a próxima mudança será de elevação da Selic, mas não sobre quando ocorrerá.
Sete acreditam que o aumento virá no primeiro semestre de 2010 - sendo quatro previsões para abril, duas para o segundo trimestre e uma entre o primeiro e o segundo trimestres.
Outros cinco acham que o aperto começará no segundo semestre - sendo três em setembro e dois em julho. Um analista acha que a alta ocorrerá entre o segundo e o terceiro trimestres.
Três instituições acham que o Copom elevará a Selic apenas em 2011 e uma não vislumbra mudança em seu horizonte atual de previsão.
"Você vai começar a ver alguma piora das expectativas para 2011, o que fará com que o BC comece a realinhar o juro", afirmou Roberto Padovani, estrategista-chefe do WestLB do Brasil, que prevê o início do ciclo de altas em abril.
"Eu digo realinhar porque não vejo nenhuma alta exagerada. O patamar atual da Selic não é sustentável, então o juro vai para um patamar mais neutro, com leves altas em 2010, e depois (se for o caso) começa a subir (mais em 2011). O BC vai começar mais no sentido de retirar o estímulo em excesso."
Na pesquida anterior da Reuters, feita em agosto, 10 de 21 economistas ouvidos acreditavam que a Selic só seria alterada em 2011 e 11 esperavam alta em 2010, a maioria no segundo semestre.
A antecipação nas projeções reflete os dados mais fortes que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e números melhores da indústria no início do terceiro trimestre. Isso levou muitos analistas a acreditar que a recuperação depois da crise global é mais significativa e pode gerar pressões inflacionárias.
Mas muitos analistas ainda mantêm a previsão de alta apenas no segundo semestre de 2010 ou só em 2011 por acreditar que, apesar de a recuperação ser mais forte, o fato de a queda durante a crise também ter sido intensa acaba contrabalançando o PIB potencial. Assim, não haveria risco inflacionário.
"A inflação estará bem comportada em 2010. Teremos uma recuperação da economia, sim, mas sobre uma capacidade ociosa. Teremos também preços administrados sob controle em 2010", disse Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria, que estima a primeira alta da Selic só em setembro de 2010.
O BC "vai aumentar mais para o fim de 2010, mirando 2011. Em 2011 nós teremos o fechamento completo do hiato do produto", acrescentou.
Os três analistas que acreditam que o aperto virá apenas em 2011 têm uma visão semelhante, mas acreditam que dará tempo de o BC começar a agir naquele ano e já controlar os riscos inflacionários e uma eventual deterioração das expectativas.
As previsões para o final de 2010 oscilaram de 8,75% a 11,75%, segundo 15 respostas.