Fabiano Klostermann
Direto de São Paulo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que segurou o pagamento das restituições do Imposto de Renda 2009 até outubro, mas que a Receita Federal liberará dois "superlotes" em novembro e dezembro. Junto ao pagamento do 13º salário, estes recursos vão movimentar a economia brasileira no final do ano e podem ajudar o contribuinte endividado a sair do sufoco ou engordar o pé-de-meia daquele que está com as contas em dia.
Para quem pode investir, a opção que mais chama a atenção é a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cujo principal índice teve alta de 8,9% só em setembro - contra uma média ponderada de 0,79% dos fundos de investimento em renda fixa e um rendimento de 0,5198% da caderneta de poupança. Mas, a recomendação é de cautela no momento de investir em as ações.
Segundo o vice-presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP), Keyler Carvalho Rocha, desde a mínina do ano (36.234 pontos em 2 de março), o índice com as principais ações da Bovespa já subiu quase 85%.
Com essa alta, o especialista alerta que, no momento, há o risco de uma queda por meio de realização de lucros de investidores no curto prazo. "Subiu muito a Bovespa. Agora deve ter uma realização de lucros, para depois voltar a subir", diz ele.
Mesmo com a atratividade dos ganhos passados, Rocha ressalta que o investimento em ações deve ser reservado para pessoas que não têm intenção de usar o dinheiro no curto prazo.
"Bolsa é para quem não tem data para sair. É para aplicar e ficar. Porque na hora que ele precisar sair, talvez a aplicação esteja em baixa e ele vai perder dinheiro", afirma.
O membro do Ibef-SP explica que as ofertas de ações que estão sendo realizadas na Bovespa, como a oferta inicial (IPO, da sigla em inglês) do Santander, são oportunidades para obter papéis atrativos com preços abaixo dos negociados nos pregões regulares.
Entre as ofertas programadas na bolsa brasileira neste final de ano estão a administradora de rodovias CCR (reserva de 12 a 20 de outubro e operação no dia 21), a administradora de shopping centeres Iguatemi (reserva de 15 a 21 de outubro e operação no dia 22). Além de outras, ainda sem cronograma definido, como a oferta pública inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) da a corretora Brazilian Finance, IPO da casa de custódia Cetip, oferta da filial americana do frigorífico JBS, oferta da incorporadora de imóveis Cyrela, oferta do frigorífico Marfrig e oferta da Aliansce Shopping Centers.
Para quem vai precisar do dinheiro no curto prazo, ou não está disposto a assumir riscos, a recomendação principal, para aplicações de até R$ 10 mil continua sendo a caderneta de poupança.
"Os valores de restituição do IR geralmente não são muito altos. A melhor coisa é a caderneta (de poupança). Com ela, a pessoa pode se programar com melhor data de saque (para não perder rentabilidade), não tem que se preocupar com carência (tempo mínimo de aplicação), imposto etc", afirmou o professor de Economia e Administração Carlos Stempniewski, das Faculdades Integradas Rio Branco.
Caso a opção seja por um fundo de investimento, a recomendação do membro do Ibef-SP é que o investidor procure um que cobre menos de 1% de taxa de administração. "A vantagem do fundo é que ele remunera todos os dias, até o saque. A desvantagem da caderneta de poupança é que se você não sacar no aniversário, perde a rentabilidade", diz.
Quem prefere os fundos, ainda deve analisar cuidadosamente a previsão de uso do dinheiro. Se for menos de um ano, deve optar pelos fundos de curto prazo. A diferença está na tributação, que é decrescente de acordo com o período de aplicação (quanto mais tempo aplicado, menos Imposto de Renda cobrado), caso a opção seja por fundos de longo prazo.
Quando o dinheiro não sobra
Já quem está endividado, deve usar este dinheiro extra para quitar suas dívidas. Segundo o professor Andreas Belck, chefe do departamento de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), não há investimento de renda fixa que tenha rentabilidade igual ao juro do cartão de crédito e cheque especial. Ou seja, conservar investimentos tendo dívidas com juros altos a pagar é mau negócio.
No momento de quitar os débitos, o conselho de Stempniewski, das Faculdades Integradas Rio Branco, é priorizar as dívidas que têm o maior juro. Esta ordem, da maior para a menor é: cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal, empréstimo com desconto em folha e crédito para financiamento de automóvel.
Caso tenha dinheiro para quitar toda a dívida, e não parcelá-la, a dica de do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, é pedir um desconto ao banco no momento de quitar o débito