welder postado em setembro 04, 2009 10:55

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, se mostrou pessimista sobre as possibilidades de revitalizar a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), objetivo de uma reunião ministerial que acontece em Nova Délhi desde quinta-feira.
Amorim aludiu a uma metáfora empregada ontem pelo diretor da OMC, Pascal Lamy, que disse confiar que a conferência de Nova Délhi seja o "princípio do final de jogo" nas longas negociações da rodada de comércio aberta em 2001. "Às vezes, o final do jogo é muito mais longo que a abertura e o meio, de modo que o fato de que estejamos no final do jogo não significa que tenhamos acabado", especificou, aludindo ao jogo de xadrez.
Cerca de 30 ministros participam da reunião convocada pela Índia, entre eles, Amorim e representantes da União Europeia (UE). O objetivo é salvar a estagnada Rodada de Doha, após o fracasso das negociações de julho de 2008 em Genebra. O ministro brasileiro somou sua voz à do titular indiano de Comércio, Anand Sharma, ao apostar por manter a multilateralidade do processo negociador frente à proposta de organizar processos bilaterais, como fez a nova Administração americana.
"Neste processo há a necessidade de acordos bilaterais, mas estes não podem substituir aos multilaterais. Se queremos modificar o processo multilateral, será muito pior do ponto de vista dos países em desenvolvimento", advertiu.
Amorim recusou pronunciar-se sobre as possibilidades de fechar a Rodada de Doha em 2010, como se comprometeram os principais atores da OMC, e observou que já se "perderam muitos objetivos realistas". "Tudo depende de algo muito simples, na minha opinião, simples em termos técnicos mas talvez politicamente complexo: depende que todos os jogadores desejem finalizar", manifestou.
Concretizou que os países industrializados desejam concluir a rodada mas, quando se trata de concordar "aspectos concretos, sua atitude é diferente". Amorim foi menos crítico com a postura da UE, ao assegurar que não tem dúvidas que se mantêm no "comum denominador" alcançado em julho passado, nas fracassadas reuniões de Genebra.