
O mês de setembro começou com uma onda de realização de lucros nas principais bolsas internacionais e nas commodities, com preocupações sobre a sustentabilidade da retomada global, a resposta da China ao eventual fim dos estímulos econômicos e a volta de temores sobre o setor bancário americano justificando vendas.
Passada a temporada de balanços, que mostrou números melhores que o esperado em empresas ao redor do mundo, e uma safra de indicadores mais positivo da economia mundial, players do mercado financeiro aguardam novos dados para consolidar a trajetória positiva de agosto e referendar a forte valorização nas ações e matérias-primas.
Números melhores na Europa e Estados Unidos não foram suficientes nesta sessão para animar os investidores, que já vinham de uma rodada de realização lucros na véspera. A divulgação de indicadores não tão favoráveis equilibrou o impacto.
A produção manufatureira dos EUA cresceu em agosto pela primeira vez em 19 meses, com o índice do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) situando-se em 52,9 - igualando-se ao nível de junho de 2007. Na mesma direção, o índice de vendas pendentes de moradias cresceu a 97,6 em julho, maior patamar em dois anos.
Os gastos com construção, contudo, contrariaram o noticiário benigno e caíram 0,2% em julho, para o menor patamar desde fevereiro de 2004.
Na Europa, a atividade manufatureira da zona do euro contraiu-se em agosto em ritmo inferior ao previsto, aproximando-se da marca da estabilidade ao ficar em 48,2 na leitura final do mês. A taxa de desemprego da região, por sua vez, aumentou em julho a 9,5%, o maior patamar desde maio de 1999.
Em Wall Street, investidores ainda citaram crescentes temores de que podem haver mais falências bancárias como argumento para embolsar lucros. As perdas ficaram ao redor de 2% nos principais índices, o que contaminou o brasileiro Ibovespa, também prejudicado pelo declínio nos preços de commodities. O índice CRB caiu 1,85%.
As preferenciais da Petrobras, contudo, conseguiram resistir à queda superior a 2% do petróleo, corrigindo eventuais excessos da véspera, com analistas reavaliano melhor o impacto sobre as ações da proposta do novo marco regulatório para a exploração do pré-sal, conhecida na segunda-feira.
Na área cambial, o dólar se fortaleceu perante as principais divisas globais, e nas operações locais não foi diferente. A cotação encerrou a sétima sessão consecutiva em alta e acima de R$ 1,90 pela primeira vez desde 29 de julho.
A debilidade nas bolsas derrubou também as taxas dos contratos de DI, na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic. Analistas não esperam mudança do juro básico, atualmente em 8,75% ao ano, e a curva referenda tal previsão. O foco dos investidores estará no comunicado do Banco Central que acompanhará o resultado.