welder postado em abril 29, 2010 09:21

A elevação da taxa básica de juros Selic de 8,75% por ano para 9,50% foi uma decisão correta do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), avaliou o economista Cláudio Goldberg, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele tem dúvidas, porém, se o momento para elevar a taxa foi o mais acertado.
O caminho adotado foi o correto, tendo em vista o aumento do consumo gerado pela expansão do emprego e da renda das famílias, afirmou. Goldberg destacou, por outro lado, que o crescimento do consumo não foi acompanhado pelo incremento da atividade industrial. "Isso significa que você tem um descompasso entre oferta e demanda".
A consequência do maior consumo registrado pelas pessoas e da não reposição dos estoques é uma pressão inflacionária. "E, aí, para controlar esse aumento da inflação, o Banco Central está aumentando os juros".
O economista da FGV analisou, contudo, que o BC poderia aguardar um pouco mais para ver o efeito que terá a retirada da isenção tributária, no caso o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sobre alguns segmentos econômicos, como de veículos e eletrodomésticos, porque isso vai aumentar os preços e dar uma "segurada" no consumo.
"Eu acho que o BC foi muito conservador, quando poderia aguardar um pouco mais para ver o efeito prático disso". Avaliou que o aumento da taxa básica vai encarecer o crédito ao consumidor, o que significa um aumento natural no custo de compra. "Vai travar a demanda. Mas, não sei se vai diminuir o preço".
Como este é um ano de eleições, Cláudio Goldberg analisou que a decisão do Copom teve, também, um viés político. "Ou seja, melhor aumentar agora do que deixar o barco correr e dar uma porrada quando chegar em outubro", afirmou.
Em nota, o colegiado do BC informou que a decisão dá "seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas".
A primeira elevação da Selic desde setembro de 2008 veio após a inflação medida pelo IPCA ter acumulado alta de 2,06% no primeiro trimestre, impactada por pressões sazonais e por aumentos dos preços de alimentos. A meta do governo é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 4,5% em 2010.
A Selic iniciou 2009 em 13,75%, sendo reduzida para 12,75% já na primeira reunião do Copom no ano, em janeiro. Em março, caiu para 11,25% ao ano, com nova redução em abril para 10,25%.
Em junho do ano passado houve um novo corte de 1 ponto percentual para 9,25% ao ano e em julho o comitê reduziu o ritmo, com uma queda de 0,5 ponto percentual para 8,75% ao ano, percentual que foi mantido até esta quarta.
A taxa básica de juros remunera os títulos públicos depositados do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de parâmetro para o custo do dinheiro nas operações de empréstimo entre bancos. Por consequência, também influencia a taxa cobrada dos consumidores que pegam dinheiro emprestado de instituições financeiras.
Quanto menor a Selic, mais interessante para os bancos é emprestar ao consumidor e esperar o recebimento de juros maiores, do que comprar títulos do governo, que são garantidos, mas pagam menos.