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Os governantes da UE iniciam, na tarde desta quinta-feira, uma cúpula na capital belga com a intenção de aprovar as linhas gerais de um novo plano destinado a superar definitivamente a crise e dar à Europa um crescimento econômico mais sustentável em médio prazo.

A resistência da Alemanha em já acertar um mecanismo de ajuda financeira à Grécia domina, no entanto, os preparativos do Conselho Europeu. A intenção é fazer com que a crise grega não "contamine" a agenda da cúpula propriamente dita, e para isso continua sendo preparada uma reunião prévia dos 16 membros da zona euro para decidir o mecanismo de uma eventual ajuda financeira a Atenas.

Entretanto, o governo alemão segue se opondo a um acordo sobre a questão, poucas semanas antes de eleições regionais fundamentais para a coalizão democrata-cristã-liberal dirigida pela chanceler Angela Merkel. Apesar das chamadas da Comissão Europeia, do presidente rotativo da UE, José Luis Rodríguez Zapatero, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã segue sem dar sinal verde à reunião da zona do euro para discutir a situação grega. Para tentar dobrar a resistência de Merkel, muitos contatos e convocações foram feitos nas últimas horas.

Em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, voltou a orientar os governos a definirem o mais rápido possível um instrumento financeiro para amparar a Grécia caso o país o necessite, se não conseguir financiamentos no mercado a preços razoáveis. O presidente do executivo comunitário apelou à "responsabilidade" e "solidariedade" dos líderes europeus, e insistiu que esse mecanismo seria uma espécie de "rede de segurança", que só seria utilizada "caso se esgotassem outras soluções".

Os 27 países membros do grupo europeu também se mostram divididos sobre a forma da futura estratégia econômica. Sob o slogan "Europa 2020", a Comissão da UE apresentou um programa de modernização econômica e reformas que visa "aprender com erros do passado", com menos objetivos quantificados e regras de vigilância mais estreitas. Entretanto, não há consenso entre objetivos e regras, e a discussão deve ser muito longa.

A principal novidade a respeito da fracassada "Estratégia de Lisboa" (2000-2010) é a proposta de incluir nela os chefes de Estado e governo. Se for aceito este princípio, o Conselho Europeu se transformaria no embrião de um autêntico "governo econômico" da Europa, o braço que sempre faltou no desenho da união "econômica e monetária" estipulada na histórica cúpula de Maastricht (1991), que deu origem ao euro.

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