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A Justiça do Paraná considerou ilegal a aplicação da capitalização dos juros (juros sobre juros) sobre uma dívida do governo do Estado com a empreiteira C.R. Almeida relativa à construção, em 1968, de um trecho da ferrovia Central do Paraná.

A decisão foi unânime por parte dos cinco desembargadores da 5.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). De acordo com o procurador Roberto Altheim, da Procuradoria-Geral do Estado do Paraná, o valor inicial que constatava no processo movido pela empreiteira contra o estado, em 1995, era de R$ 1,2 bilhão. "Com base nos critérios aplicados pelos advogados da C.R Almeida este montante chegou a R$ 18,3 bilhões".

O procurador explicou que ao acatar o recurso do governo paranaense, o TJ-PR, na última terça-feira, reduziu este valor para R$ 1,8 bilhão, incluindo os honorários advocatícios.

A defesa se baseou no fato de que no contrato para a realização da obra não estava prevista a capitalização dos juros. O acórdão do TJ-PR será publicado nos próximos dias no Diário da Justiça do Estado e o advogado da C.R Almeida, Sandro Vicentini, adiantou que a empresa irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"Nós já tínhamos uma sentença relativa a essa dívida, proferida pelo STJ, condenando o Estado do Paraná, a pagar, a partir de outubro de 1975, um valor na época de CZ$ 319.311,84,00", disse Vicentini. Segundo ele, o governo do Paraná não efetuou o pagamento sob a mesma alegação, de que no valor estavam computados juros indevidos. "Entretanto, quando o STJ aprovou o valor já estava inclusa a capitalização dos juros", afirmou.

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