As restrições financeiras e o enfraquecimento econômico global criaram um círculo vicioso que ainda ameaça a recuperação da economia global da crise, afirmou uma autoridade do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira.
Por essa razão, estabilizar o sistema financeiro global e aumentar a demanda por meio da expansão dos gastos do governo permanecem entre as prioridades para os representantes políticos ao redor do mundo, disse o primeiro vice-diretor-gerente do FMI, John Lipsky, em uma conferência em Viena.
"As restrições financeiras e o enfraquecimento econômico criaram um círculo vicioso corrosivo que continua a ser uma ameaça à perspectiva global", disse Lipsky em comentários preparados para um seminário da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
"As prioridades mais urgentes são estabilizar o sistema financeiro global e fornecer um estímulo econômico efetivo para a demanda global agregada", disse. "Com ações políticas efetivas, o declínio global pode ser reduzido e uma recuperação pode começar a estar a caminho."
Em discurso sobre os vínculos entre o progresso econômico e dos preços do petróleo, Lipsky disse que a produção global tende a se contrair na base anual pela primeira vez na história moderna.
"Não se espera que o crescimento global se recupere a qualquer momento para o ritmo acelerado conquistado entre 2003 e 2007, já que a crise financeira terá efeitos duradouros nos fluxos de crédito e capital", disse.
Lipsky discursou um dia após uma outra autoridade do FMI ter dito que o fundo projeta uma contração de 0,6% da economia global este ano.
Petróleo
Lipsky disse que o declínio dos preços do petróleo desde julho é o principal resultado da piora da perspectiva econômica global e que o preço da commodity pode voltar a subir se a economia se recuperar.
Mas a cotação não vai retomar o ritmo de alta dramático de 2007 e 2008, quando atingiu um pico de quase US$ 150 em julho do ano passado, afirmou. Lipsky avaliou que os preços do petróleo mais baixos têm um efeito na demanda global que é quase tão grande quanto os esforços combinados dos governos para aumentar a demanda através da elevação dos gastos.
"Quanto mais baixos os preços ficarem agora e quanto mais eles permanecerem nesses níveis, maior será o impacto negativo na oferta no futuro. Em outras palavras, os preços baixos de hoje podem estar preparando o cenário para outra disparada dos preços no futuro."