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O Banco para Pagamentos Internacionais (BIS) advertiu que "existe um risco significativo de que demore a recuperação das economias de mercado emergentes", entre elas as da América Latina.
Em seu 79º relatório anual, no qual analisa a atual recessão econômica, o BIS não quis dar previsões de crescimento concretos para a América Latina - ao contrário de outros anos, quando publicou taxas concretas -, devido à forte incerteza.
O relatório é muito pessimista, já que afirma que não se sabe se as medidas adotadas pelos governos e bancos centrais vão ter o efeito esperado. O BIS indica que a gravidade da desaceleração poderia impedir a retomada dos fluxos de capital para as economias emergentes, o que deterioraria mais o crescimento.
Além disso, a recuperação econômica requereria um aumento do comércio internacional, com menos desequilíbrios externos.
O crédito interno poderia sofrer um intenso retrocesso, diante da magnitude da crise econômica. "A perspectivas para as economias de mercado emergentes trazem bastante incerteza", afirmou o BIS.
Acrescentou que "as previsões de consenso para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 são negativas para a maioria das grandes economias" emergentes, com exceção da China e Índia.
A atual crise econômica e financeira atingiu totalmente no último trimestre de 2008 as economias de mercado emergentes, que antes tinham tido um crescimento muito intenso.
Além disso, o BIS descarta um crescimento positivo antes de 2010, apesar de observar indícios de recuperação em algumas delas.
"O caminho da recuperação dependerá também do ritmo no qual os fluxos internacionais de capital se recuperação de sua aguda retração em 2008", segundo o BIS.
Os primeiros países afetados pelo encarecimento e pela menor disponibilidade de financiamento externo foram os que tinham grandes déficit em conta corrente e os que viram seu superávit cair por causa do desabamento dos preços do petróleo e outras matérias-primas, como Argentina, Rússia e Venezuela.
A crise levou muitos investidores a sair dos mercados locais de títulos do México e a optar por ativos em moeda estrangeira mais líquidos.
Este fato exacerbou "as pressões depreciatórias, dada a grave paralisia dos mercados internacionais de swaps (intercâmbios) de divisas".
A América Latina também teve que enfrentar problemas para o financiamento comercial, já que os bancos internacionais renovaram no primeiro trimestre de 2009 só entre 50% e 60% das linhas de crédito comercial do ano anterior.
Esta queda refletiu a baixa do comércio internacional e dos preços das matérias-primas, assim como a paralisação do mercado secundário de financiamento do comércio exterior e a redução dos créditos de bancos especializados nesse segmento do mercado.
O BIS lembra que as matérias-primas concentram mais de 40% das exportações totais da América Latina. A queda de 30% dos preços das matérias-primas entre julho e dezembro de 2008 poderia reduzir o crescimento da região em mais de dois pontos percentuais.

 

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